sexta-feira, julho 28, 2006

Suástica e foice-e-martelo: dois pesos e duas medidas

Publicado originalmente em 8 de fevereiro:

No ano passado, eu estava fazendo uma pesquisa na internet sobre racismo e xenofobia para um trabalho da minha faculdade quando, de repente, deparei-me com uma lei federal que proíbe a divulgação e o uso da cruz suástica, o símbolo máximo do nazismo, em todo o território brasileiro. As sensações que se seguiram a esta descoberta foram um misto de estupefação e ira, devido ao sistema de dois pesos e duas medidas usado pelos legisladores brasileiros. Logo, pensei em duas coisas:

1- Cadê a liberdade de expressão?

2- Já que a suástica é proibida, por que nossos egrégios parlamentares também não proíbem a foice-e-martelo, símbolo máximo do socialismo?

Quanto à primeira pergunta, respondo dizendo que não sou nazista, mas acho que um país como o Brasil, que se diz democrático, não pode proibir as pessoas de usarem símbolos de uma ideologia, de uma religião ou mesmo de um partido político, mesmo que este já tenha sido extinto em seu próprio país natal, a Alemanha, há mais de 50 anos. Aliás, convém esclarecer que em países verdadeiramente democráticos, como, por exemplo, os Estados Unidos, um país infelizmente pouco admirado por aqui, existe o Partido Nazista, oficialmente reconhecido pela justiça daquele país e cujos membros podem usar seus símbolos, dentre eles a cruz suástica, em praça pública, sem serem importunados pelas autoridades. Porém, cabe salientar que as autoridades americanas se preocupam, isso sim, com as atitudes dos partidários desses movimentos e partidos, e punem exemplarmente aqueles que se excedem e cometem crimes em nome destas organizações e de suas respectivas doutrinas.

Quanto à segunda pergunta, respondo dizendo que defendo a liberdade de expressão, por ser um direito natural do indivíduo. Porém, se a suástica é proibida no Brasil, por que a lei brasileira não execra também a foice-e-martelo, símbolo máximo do socialismo? Este é um caso típico do uso de dois pesos e duas medidas por parte do ordenamento jurídico nacional. Aliás, vou mais longe: por que não se proíbe o uso de roupas e acessórios estampados com a imagem do terrorista assassino Che Guevara? Às vezes, quando vejo um cidadão usando uma camiseta com a efígie daquele diabo, me pergunto se não caberia impetrar uma ação judicial por incitação à violência e/ou ao crime. Sempre que digo isso, algum desinformado me pergunta: "Como assim?", ao que prontamente lhe pergunto: "Você andaria na rua com uma camiseta estampada com a foto de alguém como Marcola?" A desinformação é tanta que muita gente considera Che Guevara um santo, literalmente, e alguns até o adoram como tal.

A ditadura ideológica do "politicamente correto" fez e faz com que o nazi-fascismo seja automaticamente abominado pelas massas, enquanto que o socialismo não recebe o mesmo tratamento - muito pelo contrário, aliás, principalmente na grande mídia, nas escolas e universidades, nas igrejas e no meio artístico.

Por fim, é urgentemente necessário que todos despertemos para a realidade de que o socialismo é uma teoria que não funciona nem na teoria, uma vez que, para citar apenas um exemplo da paralaxe cognitiva que constitui a teoria comunista, Marx disse que só o proletariado entenderia suas teses de revolução social, mas ele nunca foi operário nem campesino. Como, então, é possível que ele, um burguês, entendesse o que escrevia, posto que, segundo ele, só os proletários entenderiam suas teses? Abaixo a foice e o martelo, que o próprio Marx nunca empunhou!

O regime partidário brasileiro e a desinformação da nossa pseudo-elite acadêmica

Publicado originalmente em 27 de janeiro:

Há 2 anos atrás, eu estava conversando com um advogado recém-formado sobre o regime partidário brasileiro quando ele me disse que o Brasil tem partidos demais. Eu lhe disse que não existem muitos partidos no Brasil, e sim no Congresso Nacional, e que ele, como advogado, deveria saber que são muitos os países que possuem muitos partidos, pois o pluripartidarismo é uma constante inclusive no primeiro mundo, até nos Estados Unidos, onde, apesar do que muitos pensam, não existem apenas os partidos Democrata e Republicano, e sim 124 partidos de abrangência nacional, fora os partidos regionais, estaduais e locais. O egrégio causídico também não sabia desse detalhe sobre o regime partidário americano, que a grande maioria das pessoas julga ser bipartidário.

O que acontece é que nos países em que o verdadeiro pluripartidarismo vigora, inclusive nos Estados Unidos, os partidos que não têm representatividade suficiente a nível nacional não podem eleger candidatos para o parlamento nacional, ficando restritos aos níveis regional, estadual ou somente local. Os Estados Unidos só têm 2 partidos no Congresso Nacional, e países como Alemanha, Canadá e França têm apenas 4 ou 5 cada. Poder-se-ia dizer que tais países não são democracias avançadas?

Já no Brasil, qualquer partido, tenha ele o mínimo de representatividade a nível nacional ou não, pode se lançar ao Congresso Nacional, fazendo com que este fique repleto de legendas de aluguel, agremiações ideologicamente nulas que em nada representam a maioria do povo brasileiro. Tal pandemônio partidário poderá ser ao menos amenizado com a adesão da cláusula de barreira, que os 4 maiores partidos do Brasil, PT, PMDB, PSDB e PFL, querem que seja de 5%, o que siginifica que os partidos que não atingirem 5% de votos a nível nacional não poderão lançar candidatos ao Congresso Nacional, ficando a eles reservado o direito de eleger candidatos apenas para os parlamentos estaduais e municipais.

Depois de toda essa laboriosa explicação que dei ao advogado, ele me disse que era contra o pluripartidarismo, após o que lhe perguntei: "Mas então, você é a favor do bipartidarismo, certo?", ao que ele me respondeu: "Não! Sou a favor de termos apenas um partido no Brasil!". Fiquei estarrecido, e lhe disse: "Mas isso seria uma ditadura!", e ele me respondeu: "Pois é isso mesmo que eu quero! Não quero nem 2 nem vários partidos! Chega disso tudo!"

Moral da história: eis mais um brasileiro que não sabe o que quer! Quando, durante a ditadura militar, nós tínhamos um bipartidarismo forçado, com uma disputa desigual entre ARENA e MDB, o povo clamava pelo pluripartidarismo. Agora que o temos, o povo reclama que há partidos demais e clama pela volta do bipartidarismo. E pior: existem até aqueles que, por pertencerem a uma pseudo-elite intelectual, como é o caso deste egrégio causídico, querem o unipartidarismo, o que, automaticamente, significaria mais uma ditadura! Com um advogado como esse, quem precisa do exame da OAB?

Datena e o Tolerância Zero

Publicado originalmente em 26 de janeiro:

Há uns 2 anos atrás, eu estava assistindo a um programa da TV Band no qual o jornalista José Luís Datena estava sendo entrevistado quando, de repente, Datena, ao falar sobre como os americanos lidam com a segurança pública, vociferou a seguinte asneira: "O famoso ´esquema´ Tolerância Zero, implantado pela polícia de Nova York, não passa de uma estratégia arquitetada pelas autoridades nova-iorquinas para matar negros, latino-americanos e sem-teto!" Datena, além de muito mal-informado, saiu do jornalismo esportivo e caiu de pára-quedas no jornalismo policial, uma seara que certamente não é a dele.

De segunda a sexta, o SBT mostra, no seu jornal noturno, o verdadeiro projeto Tolerância Zero. Nada de matança de minorias. Há negros sendo presos? Sim. Há latino-americanos sendo presos? Sim. Há sem-teto sendo presos? Sim. Mas também há brancos sendo presos e mandados para a cadeia, com todos os rigores das leis do Estado de Nova York. Em suma: aparece gente de todo tipo nos programetes do Tolerância Zero, exibidos pelo SBT. Sílvio Santos está de parabéns por mostrar o dia-a-dia nos países em que a tolerância é zero!

Sílvio Santos é um vencedor, um empresário de sucesso que mora meio mês em São Paulo, meio mês em Miami e que, portanto, sabe muito bem do que está fazendo quando mostra programas como o quadro "Tolerância Zero". O grande problema do Brasil é que com uma mídia como a nossa, como querer que os nossos governantes implantem projetos de segurança pública semelhantes ao Tolerância Zero, capitaneado pelo ex-prefeito Rudolph Giuliani, se toda e qualquer ação policial no Brasil é logo rotulada como truculenta? O povo brasileiro reclama da impunidade, mas, a bem da verdade, não sabe o que quer. Quando os policiais brasileiros cumprem seu dever, logo vêm os defensores dos direitos humanos e fazem um baita lobby para que eles "aliviem". E é o povo quem sempre "paga o pato", para a alegria dos bandidos e dos supracitados "ativistas", que são, por excelência, os inimigos pessoais dos policiais. O sr. Datena pode dormir tranqüilo! O Tolerância Zero nunca será implantado por estas plagas! Enquanto houver jornalistas brasileiros desinformados e anti-americanos como ele, os bandidos certamente continuarão "dando as cartas" por aqui!