Desde criança eu já tinha uma idéia do que vinha a ser o esperanto. Porém, só há alguns anos eu conheci o assim chamado movimento esperantista, presente em dezenas de países e que reúne milhares de excêntricos que têm por objetivo intrinsecamente utópico transformar o esperanto na língua global do futuro. Vou explicar a questão do esperanto por etapas:
1- Invenção: em 1887, o judeu-polaco Lazarus Ludwig Zamenhof criou a língua a partir de uma salada mista de dezenas de línguas, pois Zamenhof era um exímio poliglota. Cerca de 70% da gramática do esperanto é baseada no latim e o alfabeto empregado é o latino, pois, em seus estudos, Zamenhof constatou que a maioria das línguas existentes no mundo emprega esse alfabeto. Além disso, a base principal do próprio vocabulário é o latim. Aliás, cabe fazer uma retificação aqui: apesar do que a grande maioria das pessoas pensa, a proposta esperantista não é eliminar todas as línguas que há no mundo e impor o esperanto, e sim transformá-lo na língua neutra global, permitindo que cada povo mantenha a sua própria língua. Inclusive, o próprio lema do movimento esperantista, cunhado por Zamenhof, é: "Para cada povo, a sua língua; para todos os povos, o esperanto." Faço questão de esclarecer esse detalhe sem entrar no mérito, mas apenas por uma questão de justiça.
2- Divulgação: em 26 de julho desse mesmo ano, Zamenhof lançou o primeiro livro de regras do esperanto. O livro era escrito em russo. Aliás, eis aqui uma curiosidade: como Zamenhof era judeu e polaco, motivo de dupla discriminação, ele lançou o livro sob o pseudônimo "Doktoro Esperanto", que significa "Doutor Esperançoso". Assim sendo, o livro e, conseqüentemente, a língua, foram bem aceitos pelo público, cuja grande maioria não sabia das origens do autor.
Em 1905, foi realizado, numa cidade do interior da França, o primeiro congresso de esperanto, que reuniu quase mil pessoas de várias nacionalidades, as quais trataram de divulgar a língua em seus países.
3- Movimento: vários clubes de esperanto foram sendo criados em vários países, começando no Brasil por Campinas em 1906, mas as duas guerras mundiais emperraram o movimento. Inclusive, na II Guerra Mundial, Hitler perseguiu e matou muitos esperantistas na Alemanha e nos territórios ocupados pelo III Reich; Stalin fez o mesmo na União Soviética. A família de Zamenhof foi dizimada. No Japão e na China, também houve perseguição e matança.
Várias organizações tentaram - e continuam tentando - dar um empurrãozinho para ver se o esperanto decola. Em 1954, a ONU, por exemplo, através da UNESCO, passou a apoiar oficialmente a causa esperantista. Mais recentemente, com o advento da internet, o esperanto pôde ser divulgado globalmente de maneira rápida, fácil e barata. Porém, a bem da verdade, a internet foi justamente a mídia que deu ao esperanto o seu merecido status de extravagância de sonhadores totalmente alheios à realidade do mundo, que é pura e simplesmente a seguinte: sempre houve e sempre haverá uma língua global imposta por uma nação. Há 2 mil anos, quem não falasse latim estava por fora. Hoje em dia, quem não fala inglês perde, só por isso, uma miríade de oportunidades preciosas no mercado de trabalho.
4- Peculiaridades: por ser utópico, o movimento esperantista acaba atraindo gente de outras causas quiméricas. Eu tive contato direto com o movimento esperantista e posso afirmar que a maioria dos esperantistas têm relação direta ou indireta com os seguintes movimentos: socialismo, comunismo, anarquismo, vegetarianismo, veganismo, pacifismo, espiritismo etc. Aliás, quanto a esse último, convém relatar que o movimento esperantista brasileiro é tão ligado ao movimento espírita que muita gente tem a falsa idéia de que "o esperanto é uma língua espírita". O próprio espiritismo, que, na sua vertente kardecista, é um fenômeno local restrito ao Brasil, acaba fazendo com que pessoas mal-informadas de outras religiões não queiram aprender esperanto justamente por achar que se trata de uma "língua espírita". Novamente, não estou entrando no mérito, mas apenas fazendo essa outra retificação também por uma questão de justiça.
Existe uma outra corrente de pensamento que é seguida pela grande maioria dos esperantistas: o anti-americanismo. O motivo é óbvio: uma vez que os Estados Unidos são a nação que, devido à sua hegemonia, impõe a língua global atual, os esperantistas costumam atacar ferozmente a nação americana e, por decorrência, a língua inglesa, numa demonstração clara de fraqueza, pois, como se diz no mundo dos negócios: "Se o seu produto funciona, você não precisa ´meter o pau´ na concorrência".
5- Conclusão: o esperanto e o movimento esperantista como um todo são pura perda de tempo. Se você tem facilidade e/ou necessidade de aprender línguas, aprenda inglês e outras línguas do mundo real, pois, como eu já disse anteriormente, sempre houve e sempre haverá uma língua global imposta por uma nação, não obstante a importância, ainda que menor, das línguas secundárias, como é atualmente o espanhol.
sexta-feira, dezembro 12, 2008
quinta-feira, dezembro 04, 2008
A extravagância ortográfica do português brasileiro
Diferentemente de línguas como o espanhol, que possui, graças ao comando da Real Academia, unidade ortográfica absoluta, não obstante a grande quantidade de países hispanófonos, a língua portuguesa tem duas ortografias oficiais: a portuguesa e a brasileira. E pior: a última reforma ortográfica tupiniquim, cujas novas regras já estão em vigor, foi assinada por Lula. Isso equivale a pedir que Maguila aprove regras determinadas num congresso de astrofísica.
Eu ainda hei de descobrir o motivo pelo qual a unificação ortográfica não dá certo na comunidade lusófona. Porém, já lanço de cara o seguinte questionamento: será que o Brasil não consegue resolver os problemas relativos à ortografia porque, dentre outros motivos, a grande maioria dos brasileiros não sabe o que significa a própria palavra "ortografia"? Pode ser, não é mesmo?
Voltando ao assunto da norma ortográfica em si, o estrangeirismo imbroglio, originário do italiano, deve ser escrito, de acordo com o Dicionário Houaiss, da seguinte maneira: imbróglio. A nacionalização da grafia dessa palavra é capenga e perigosa, pois a grande maioria dos nossos compatriotas, que mal fala português, não tem a menor idéia de que o dígrafo gl, típico da língua italiana, tem o mesmo som do dígrafo lh, típico, por sua vez, da língua de Camões. Assim sendo, 90% dos leitores da palavra imbróglio a lerão exatamente assim, e não como deve ser lida: imbrolho, inclusive sem esse acento agudo intrometido. Portanto, por que não se muda a grafia dessa palavra para imbrolho, sendo que, dessa maneira, todo mundo a lerá corretamente? Talvez, isso seja assim justamente porque quem assinou a última reforma foi Lula. Logo, está armado o imbroglio, ou seja, está armada a confusão.
Eu ainda hei de descobrir o motivo pelo qual a unificação ortográfica não dá certo na comunidade lusófona. Porém, já lanço de cara o seguinte questionamento: será que o Brasil não consegue resolver os problemas relativos à ortografia porque, dentre outros motivos, a grande maioria dos brasileiros não sabe o que significa a própria palavra "ortografia"? Pode ser, não é mesmo?
Voltando ao assunto da norma ortográfica em si, o estrangeirismo imbroglio, originário do italiano, deve ser escrito, de acordo com o Dicionário Houaiss, da seguinte maneira: imbróglio. A nacionalização da grafia dessa palavra é capenga e perigosa, pois a grande maioria dos nossos compatriotas, que mal fala português, não tem a menor idéia de que o dígrafo gl, típico da língua italiana, tem o mesmo som do dígrafo lh, típico, por sua vez, da língua de Camões. Assim sendo, 90% dos leitores da palavra imbróglio a lerão exatamente assim, e não como deve ser lida: imbrolho, inclusive sem esse acento agudo intrometido. Portanto, por que não se muda a grafia dessa palavra para imbrolho, sendo que, dessa maneira, todo mundo a lerá corretamente? Talvez, isso seja assim justamente porque quem assinou a última reforma foi Lula. Logo, está armado o imbroglio, ou seja, está armada a confusão.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Os profetas do apocalipse
Dentro da espécie humana, existe uma raça conhecida como "os profetas do apocalipse": são pessoas que, além de pessimistas, não têm a menor esperança em hipótese alguma. Quando algo está bom, elas acham que vai ficar ruim, e quando algo está ruim, elas acham que vai ficar pior. Para elas, nunca há escapatória, pois o raciocínio delas é intrinsecamente escatológico.
Hoje de manhã, tive um flashback da minha infância: eu estava no ginásio e a professora de geografia disse: "O mundo está ficando cada vez mais informatizado; num futuro próximo, as máquinas tomarão o lugar do ser humano em tudo, condenando milhões de pessoas a morrer de fome. Hoje em dia, se uma simples costureira não souber mexer no computador, ela morre de fome, pois para gerir as receitas e as despesas do seu serviço, ela tem que montar uma planilha no Excel".
Quanto a essa declaração dessa ilustre propedeuta, tenho 3 argumentos para contestá-la:
1- A professora está sendo preconceituosa, pois está partindo do pressuposto de que nenhuma pessoa idosa consegue aprender a mexer no computador, o que não é verdade, pois muitos idosos o fazem perfeitamente.
2- Se, por uma acaso, essa idosa costureira não conseguir aprender a mexer no computador, ela pode contratar alguém para fazer isso, não é mesmo?
3- Na pior das hipóteses, a tal costureira pode continuar gerindo seus negócios como sempre o fez: na ponta do lápis, com uma simples caderneta. Por que não? Por que diabos uma costureira tem que fazer isso no computador? Ela é obrigada, por acaso? Um pipoqueiro também? Um pasteleiro também? Um vendedor de churros, de algodão-doce, de picolés etc. também?
Eu tenho a nítida impressão de que as únicas pessoas que vão ficar do lado dessa professora são pessoas que também pertencem a essa raça mencionada no início do texto. Você pode até reclamar desse texto, mas como diria Chico Anysio: "Só reclama de Tim Tones quem é Tim Tones".
Hoje de manhã, tive um flashback da minha infância: eu estava no ginásio e a professora de geografia disse: "O mundo está ficando cada vez mais informatizado; num futuro próximo, as máquinas tomarão o lugar do ser humano em tudo, condenando milhões de pessoas a morrer de fome. Hoje em dia, se uma simples costureira não souber mexer no computador, ela morre de fome, pois para gerir as receitas e as despesas do seu serviço, ela tem que montar uma planilha no Excel".
Quanto a essa declaração dessa ilustre propedeuta, tenho 3 argumentos para contestá-la:
1- A professora está sendo preconceituosa, pois está partindo do pressuposto de que nenhuma pessoa idosa consegue aprender a mexer no computador, o que não é verdade, pois muitos idosos o fazem perfeitamente.
2- Se, por uma acaso, essa idosa costureira não conseguir aprender a mexer no computador, ela pode contratar alguém para fazer isso, não é mesmo?
3- Na pior das hipóteses, a tal costureira pode continuar gerindo seus negócios como sempre o fez: na ponta do lápis, com uma simples caderneta. Por que não? Por que diabos uma costureira tem que fazer isso no computador? Ela é obrigada, por acaso? Um pipoqueiro também? Um pasteleiro também? Um vendedor de churros, de algodão-doce, de picolés etc. também?
Eu tenho a nítida impressão de que as únicas pessoas que vão ficar do lado dessa professora são pessoas que também pertencem a essa raça mencionada no início do texto. Você pode até reclamar desse texto, mas como diria Chico Anysio: "Só reclama de Tim Tones quem é Tim Tones".
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