Freqüentemente, a nomenclatura usada pela Folha para classificar as coisas parece uma novilíngua. Na edição de 14 de fevereiro, a Folha chamou Fidel Castro de "ex-ditador" (sic). Mas, ora, que diabos é um "ex-ditador"? Desde quando isso existe?
A bem da verdade, a situação atual da ditadura cubana é a seguinte: Fidel é o "ditador honorário" e Raúl é o "ditador em exercício". Aliás, Fidel só será um "ex-ditador" quando "bater com as dez".
domingo, fevereiro 15, 2009
domingo, fevereiro 01, 2009
A era da capacitação
Recentemente, lembrei-me das estultices vociferadas por uma professora sobre a qual já escrevi no meu blog - um trubufu petista que dava aulas de geografia e freqüentemente falava besteiras homéricas sobre assuntos referentes à informática, à internet, à automação, enfim, ao progresso tecnológico. Certa vez, ao falar de um documentário televisivo que havia visto sobre navegação, ela proferiu a seguinte asneira:
"Antigamente, os marinheiros faziam tudo ´na raça´, mudando os navios de uma direção para outra ´no muque´. Já hoje em dia, está tudo automatizado. Basta o sujeito apertar um botão no computador que ele faz tudo sozinho".
Sobre essa declaração da ilustre propedeuta, digo o seguinte: se, por um lado, a navegação de décadas atrás dependia da força bruta, por outro lado, a informatização das embarcações não transformou o computador num Mandrake que faz tudo por conta própria. A bem da verdade, estamos no limiar da era da capacitação, em que a força bruta será cada vez mais substituída pela aplicação do conhecimento.
Os computadores que controlam as embarcações possuem softwares altamente complexos, que obviamente são elaborados por pessoas altamente capacitadas. Depois, esses computadores têm que ser operados por pessoas igualmente capacitadas, pois a operação de uma embarcação, ainda que informatizada, certamente requer especialização técnica de alto nível.
Esse comunossauro acadêmico era daqueles que acreditam que a automação seria uma espécie de facilitação vulgarizadora do conhecimento, mas eu jamais perderia meu tempo tentando desfazer esse mito construído na cabeça desse exu lulista, pois desse mato não sai coelho...
"Antigamente, os marinheiros faziam tudo ´na raça´, mudando os navios de uma direção para outra ´no muque´. Já hoje em dia, está tudo automatizado. Basta o sujeito apertar um botão no computador que ele faz tudo sozinho".
Sobre essa declaração da ilustre propedeuta, digo o seguinte: se, por um lado, a navegação de décadas atrás dependia da força bruta, por outro lado, a informatização das embarcações não transformou o computador num Mandrake que faz tudo por conta própria. A bem da verdade, estamos no limiar da era da capacitação, em que a força bruta será cada vez mais substituída pela aplicação do conhecimento.
Os computadores que controlam as embarcações possuem softwares altamente complexos, que obviamente são elaborados por pessoas altamente capacitadas. Depois, esses computadores têm que ser operados por pessoas igualmente capacitadas, pois a operação de uma embarcação, ainda que informatizada, certamente requer especialização técnica de alto nível.
Esse comunossauro acadêmico era daqueles que acreditam que a automação seria uma espécie de facilitação vulgarizadora do conhecimento, mas eu jamais perderia meu tempo tentando desfazer esse mito construído na cabeça desse exu lulista, pois desse mato não sai coelho...
Espécies do mesmo gênero
Certa vez, há alguns anos, eu estava conversando com a mãe de uma amiga minha sobre coisas relacionadas à informática e à internet quando, num dado momento, ela, que já está com quase 70 anos, disse que a minha geração não lê, pois só fica no computador. Discordei argumentando que a leitura no papel e a leitura na tela do computador são atos equivalentes, ou seja, são espécies do mesmo gênero, malgrado a diferença tecnológica entre as mídias. Nesse momento, ela insistiu e não aceitou minha explicação, dizendo que isso que se tem hoje não é leitura.
Esse fato me fez pensar na seguinte situação: qual a diferença entre fazer um cálculo num ábaco, numa calculadora ou na ponta do lápis? Apenas e tão-somente o meio usado para fazê-lo, pois a conta em si continua sendo a mesma. Porém, certamente, muitos professores de matemática que têm idade para serem meus avós devem achar que fazer contas numa calculadora não é calcular, por mais que se-lhes prove o contrário.
Infelizmente, a grande maioria dos idosos não possui clara nas suas mentes a noção de espécies e gêneros, o que faria com eles compreendessem perfeitamente que, na essência, ambos os atos supracitados - ler e calcular - continuam sendo exatamente os mesmos, não obstante quaisquer alterações tecnológicas dos meios usados para executá-los.
Esse fato me fez pensar na seguinte situação: qual a diferença entre fazer um cálculo num ábaco, numa calculadora ou na ponta do lápis? Apenas e tão-somente o meio usado para fazê-lo, pois a conta em si continua sendo a mesma. Porém, certamente, muitos professores de matemática que têm idade para serem meus avós devem achar que fazer contas numa calculadora não é calcular, por mais que se-lhes prove o contrário.
Infelizmente, a grande maioria dos idosos não possui clara nas suas mentes a noção de espécies e gêneros, o que faria com eles compreendessem perfeitamente que, na essência, ambos os atos supracitados - ler e calcular - continuam sendo exatamente os mesmos, não obstante quaisquer alterações tecnológicas dos meios usados para executá-los.
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