O recente caso da moça Geisy Arruda, de 20 anos de idade, estudante de turismo que cursava o primeiro ano no Campus ABC da UNIBAN até o dia 22 do mês passado, merece atenção especial não pela moça em si, mas por tudo aquilo que ele passou a representar num país como o Brasil, cujos costumes quanto à roupa sempre foram tão liberais. Eu até hei de convir que microvestido não é traje acadêmico, mas a macacada que xingou a moça e fez com que ela tivesse que deixar o campus sob escolta da PM estava fazendo o que do lado de fora das salas de aula? Por acaso, aquele povo estava todo "na hora do recreio"? Para que chamar uma moça mais saidinha de "puta" por causa do seu microvestido?
No primeiro mundo, os cidadãos são, desde a mais tenra idade, acostumados com aquilo que, em inglês, se entende por "dress codes", ou códigos de vestimenta. Na grande maioria das escolas americanas, por exemplo, não há uniformes; as próprias crianças recebem "educação vestual" já desde cedo.
Aqui no Brasil, quando se fala em ausência de uniformes nas escolas, aí o negócio complica; isso é perfeitamente compreensível. Porém, microvestido em ambiente acadêmico é no mínimo inadequado, convenhamos. Qual seria o meio-termo? "Cortar as asinhas" das universitárias mais saidinhas parece ser o único caminho viável. O resto é moralismo barato.
A Reitoria do Campus ABC da UNIBAN expulsou a moça, mas depois voltou atrás. Se os advogados dela forem espertos, poderão entrar com uma ação por danos morais; se ela ganhar a causa, certamente vai conseguir fazer seu pé-de-meia antes mesmo de ter um canudo.
terça-feira, novembro 10, 2009
sábado, setembro 05, 2009
Como melhorar a efetividade da avaliação dos cursos superiores
Em matéria publicada hoje, o jornal A Tribuna mencionou e explicou o método de avaliação dos cursos superiores pelo MEC, revelando que a maioria dos cursos das faculdades e universidades da Baixada Santista tirou nota baixa tanto na avaliação técnica do curso e dos professores quanto na avaliação do preparo e desempenho dos alunos.
Porém, um grande furo que observei no caso do exame do desempenho dos alunos foi o fato de que as notas de seus exames não foram divulgadas individual e nominalmente. Como os alunos sabiam que seus resultados individuais não seriam divulgados, mas apenas os resultados dos cursos como um todo, a grande maioria fez os exames sem comprometimento, pois, na prática, estava simplesmente cumprindo uma formalidade obrigatória.
Geralmente, o indivíduo não-identificado nominalmente tende a não se comprometer, pois como a multidão de alunos não-identificados vira uma massa amorfa e impessoal, nenhum aluno que fez esse exame será cobrado por uma eventual nota baixa; logo, a grande maioria fez a prova "só para constar".
A divulgação individual do nome e da nota de cada aluno avaliado ajudaria não apenas as faculdades e universidades a repensarem seus cursos como também daria aos empregadores a oportunidade de selecionar para as suas empresas os graduados mais bem preparados.
Porém, um grande furo que observei no caso do exame do desempenho dos alunos foi o fato de que as notas de seus exames não foram divulgadas individual e nominalmente. Como os alunos sabiam que seus resultados individuais não seriam divulgados, mas apenas os resultados dos cursos como um todo, a grande maioria fez os exames sem comprometimento, pois, na prática, estava simplesmente cumprindo uma formalidade obrigatória.
Geralmente, o indivíduo não-identificado nominalmente tende a não se comprometer, pois como a multidão de alunos não-identificados vira uma massa amorfa e impessoal, nenhum aluno que fez esse exame será cobrado por uma eventual nota baixa; logo, a grande maioria fez a prova "só para constar".
A divulgação individual do nome e da nota de cada aluno avaliado ajudaria não apenas as faculdades e universidades a repensarem seus cursos como também daria aos empregadores a oportunidade de selecionar para as suas empresas os graduados mais bem preparados.
quinta-feira, agosto 27, 2009
Estratégia infeliz
A estratégia adotada pelo Senador Eduardo Suplicy, do PT paulista, que representa, ou pelo menos parece representar, aquele 1% de políticos que ainda prestam num panorama de corrupção "como nunca antes nesse país", foi mais do que equivocada. Foi infeliz. Discursando na Tribuna do Senado, Suplicy tomou uma atitude cujas classes menos instruídas da população brasileira certamente entenderam às avessas do que ele de fato quis dizer: ao mostrar o cartão vermelho para José Sarney, Suplicy "misturou as estações" e acabou dando a entender ao povo que quer expulsar Sarney "na marra", quando deveria ter exigido, isto sim, uma votação, de preferência aberta e nominal, do mérito da questão que mais se discute no Senado atualmente: a cassação ou a permanência do Presidente José Sarney.
Suplicy quis dizer que exige a votação, mas o gesto de mostrar o cartão vermelho, tal como um árbitro numa partida de futebol, certamente deu a entender aos menos ilustrados justamente o contrário, ou seja, a expulsão de Sarney, a saída de Sarney pela porta dos fundos, tal como o jogador expulso que vai para o chuveiro mais cedo devido à expulsão inquestionável e irrevogável do árbitro.
Uma partida de futebol não é uma democracia, pois todos os seus lances, inclusive a sua própria realização, são submetidos à autoridade absoluta de um único indivíduo: o árbitro, que rege a partida de maneira autocrática. Portanto, a relação de poder entre o árbitro e os jogadores nada tem a ver com a atividade parlamentar, pois o Parlamento é um espaço de discussões e votações em que o Presidente da Casa tem por função primordial ser um mediador de conflitos entre os parlamentares, os partidos, as bancadas, a situação e a oposição etc.
Das duas, uma: ou Suplicy foi mal-assessorado ou fez questão de ignorar os conselhos de seus assessores de gabinete, de partido e talvez até de coalizão.
Suplicy quis dizer que exige a votação, mas o gesto de mostrar o cartão vermelho, tal como um árbitro numa partida de futebol, certamente deu a entender aos menos ilustrados justamente o contrário, ou seja, a expulsão de Sarney, a saída de Sarney pela porta dos fundos, tal como o jogador expulso que vai para o chuveiro mais cedo devido à expulsão inquestionável e irrevogável do árbitro.
Uma partida de futebol não é uma democracia, pois todos os seus lances, inclusive a sua própria realização, são submetidos à autoridade absoluta de um único indivíduo: o árbitro, que rege a partida de maneira autocrática. Portanto, a relação de poder entre o árbitro e os jogadores nada tem a ver com a atividade parlamentar, pois o Parlamento é um espaço de discussões e votações em que o Presidente da Casa tem por função primordial ser um mediador de conflitos entre os parlamentares, os partidos, as bancadas, a situação e a oposição etc.
Das duas, uma: ou Suplicy foi mal-assessorado ou fez questão de ignorar os conselhos de seus assessores de gabinete, de partido e talvez até de coalizão.
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