Certa vez, há alguns anos, eu conheci um homem que mora aqui em Santos e que, por ser americano, dá aulas de inglês com uma autoridade muito maior do que qualquer brasileiro que possua um diploma de letras. Num dado momento da conversa, ele me disse: "Se eu tivesse dinheiro suficiente para levar meus alunos aos Estados Unidos, eu jamais os levaria à Disney World, pois isso não é Estados Unidos." Ele me explicou que não tem nada contra a Disney World e que inclusive já a visitou, mas, por outro lado, ele disse algo que, apesar de óbvio, a grande maioria dos brasileiros não consegue entender: um parque de diversões não é uma representação fiel da realidade de um país. Assim sendo, esse americano me disse que, se tivesse dinheiro suficiente, levaria seus alunos para conhecerem os Estados Unidos de fato, do lado de fora de quaisquer parques temáticos.
Um parque de diversões é, por definição, um ambiente lúdico e fantasioso, um reduto de faz-de-conta que não pode ser usado como referência para julgarmos a cidade e muito menos o país em que ele se situa.
Vamos imaginar o seguinte caso: um brasileiro que nunca esteve na cidade de São Paulo participa de uma excursão e passa um dia no Play Center. No dia seguinte, esse cidadão volta para sua cidade, fique ela em São Paulo ou em outro Estado, batendo no peito e bradando: "Eu conheci São Paulo!" Ledo engano! O Play Center é apenas e tão-somente um parque de diversões, e como tal, não é uma representação fiel da cidade de São Paulo. Quem quer conhecer São Paulo de fato tem que ficar do lado de fora do Play Center e visitar a cidade propriamente dita.
Eu, que nunca fui ao Play Center, não tenho autoridade para dizer que a cidade de São Paulo é assim ou assado, pois, apesar de já ter ido inúmeras vezes à capital, conheço apenas alguns lugares específicos da cidade, ou seja, recortes esparsos de sua realidade, sociedade, arquitetura, trânsito, logradouros, gastronomia etc.
Imagine a seguinte situação: um homem que viveu no tempo da Roma Antiga e que nunca tinha ido a Roma, um belo dia visitou a cidade e entrou direto no Coliseu. A impressão que ele teria de Roma e até do Império como um todo seria a pior possível. Se esse homem tivesse a mesma mentalidade da grande maioria dos brasileiros, certamente voltaria à sua aldeia dizendo: "Lá em Roma, os seguidores de uma seita perseguida chamada cristianismo são jogados aos leões, sob aplausos e demais ovações do povo e dos senadores; guerreiros se digladiam até a morte no fio da espada e às vezes até a cavalo ou a bordo de bigas! Roma é uma barbárie!" Porém, mal sabia esse homem que o Coliseu era uma espécie de parque de diversões primitivo que, não obstante a indiscutível barbárie, jamais poderia ser usado como representação fiel da cidade e nem do Império em que ele se situava.
Entendeu o conceito?
sexta-feira, abril 24, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
Hegemonia americana X hegemonia chinesa
Ano passado, na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim, uma chinesinha fotogênica cantou uma música; pouco tempo depois, foi descoberto que, na verdade, aquela garotinha bonita apenas dublou a verdadeira cantora, uma outra menina não tão bela.
Numa prova de atletismo, um corredor chinês foi obrigado a correr mesmo estando visivelmente impossibilitado até mesmo de andar. A cara de dor dele era angustiante.
Esses dois fatos me fazem pensar: qual é o real valor do indivíduo na China? O que cada cidadão representa para os Generais do Partidão, que governa o país ininterruptamente desde 1949? Pelo que me parece, o cidadão chinês é para eles quase que uma cabeça de gado, perfeitamente sacrificável em nome de sua bandeira vermelha.
Por que a grande mídia brasileira não diz essa verdade nesses termos? Será que, em troca de equipamentos baratos contrabandeados da China, fabricados por mão-de-obra escrava e muitas vezes até infantil, vale a pena meter o pau nas sólidas democracias do Atlântico Norte e puxar o saco da sexagenária ditadura chinesa?
No Brasil de hoje, não são poucos os idiotas úteis que não hesitariam em apoiar a hegemonia chinesa e ajudar a derrubar a hegemonia americana. Você, leitor, já parou para pensar se isso realmente vale a pena?
Apesar de todos os defeitos, a hegemonia americana é a hegemonia de uma democracia diuturnamente patrulhada pela mídia do mundo inteiro. E a China? É uma ditadura totalitária que nesse ano de 2009 completa nada menos que 60 primaveras! E o pior é o outono nunca chega!
Muitos desses mesmos idiotas úteis chegam ao cúmulo de não quererem nenhuma das duas hegemonias e sonharem com uma nova ordem mundial em que todos os países hão de ficar em pé de igualdade... Leda utopia! Isso nunca houve nem nunca haverá!
O mundo é assim. Se você ainda não percebeu isso, já está mais do que na hora de acordar para a vida...
Numa prova de atletismo, um corredor chinês foi obrigado a correr mesmo estando visivelmente impossibilitado até mesmo de andar. A cara de dor dele era angustiante.
Esses dois fatos me fazem pensar: qual é o real valor do indivíduo na China? O que cada cidadão representa para os Generais do Partidão, que governa o país ininterruptamente desde 1949? Pelo que me parece, o cidadão chinês é para eles quase que uma cabeça de gado, perfeitamente sacrificável em nome de sua bandeira vermelha.
Por que a grande mídia brasileira não diz essa verdade nesses termos? Será que, em troca de equipamentos baratos contrabandeados da China, fabricados por mão-de-obra escrava e muitas vezes até infantil, vale a pena meter o pau nas sólidas democracias do Atlântico Norte e puxar o saco da sexagenária ditadura chinesa?
No Brasil de hoje, não são poucos os idiotas úteis que não hesitariam em apoiar a hegemonia chinesa e ajudar a derrubar a hegemonia americana. Você, leitor, já parou para pensar se isso realmente vale a pena?
Apesar de todos os defeitos, a hegemonia americana é a hegemonia de uma democracia diuturnamente patrulhada pela mídia do mundo inteiro. E a China? É uma ditadura totalitária que nesse ano de 2009 completa nada menos que 60 primaveras! E o pior é o outono nunca chega!
Muitos desses mesmos idiotas úteis chegam ao cúmulo de não quererem nenhuma das duas hegemonias e sonharem com uma nova ordem mundial em que todos os países hão de ficar em pé de igualdade... Leda utopia! Isso nunca houve nem nunca haverá!
O mundo é assim. Se você ainda não percebeu isso, já está mais do que na hora de acordar para a vida...
Por que muitos atletas cubanos não sabem ganhar?
Certa vez, há mais de 10 anos, houve um jogo de vôlei feminino entre Brasil e Cuba, cujas cubanas ganharam. Do meio do jogo em diante, as cubanas, a cada ponto que marcavam, tiravam sarro das brasileiras raivosamente, o que, dali a um certo tempo, causou a natural reação por parte delas. O jogo foi quase abortado devido a uma briga, difícil de apartar, daquelas mulheres altas e esbaforidas, se pegando e puxando o cabelo uma da outra. Quando o jogo acabou, então, aí “o bicho pegou”: a equipe de segurança do evento teve que ser acionada para conter a verdadeira batalha entre as amazonas pós-modernas que se digladiavam num ginásio poli-esportivo convertido em Coliseu.
Realmente, aquelas esportistas cubanas não souberam ganhar, mas aí eu lhe pergunto: por que às vezes os atletas cubanos não sabem ganhar? Porque eles são oprimidos por uma ditadura violentíssima que literalmente os obriga a vencer. Governos como o de Cuba estão nas antípodas do ideal pregado pelo Barão de Coubertin, da competição leal acima da vitória a qualquer custo. E não me venham comparar esse espisódio com a Copa de 70 e o uso político que os militares brasileiros fizeram do escrete canarinho comandado por Pelé. Se o Brasil tivesse perdido a Copa, os jogadores não apanhariam, por exemplo.
Por que quase ninguém fala isso na imprensa? Por que quase toda a hierarquia da grande mídia brasileira, de cima a baixo, é visceralmente compremitda com a ideologia socialista que dita o regime cubano.
Realmente, aquelas esportistas cubanas não souberam ganhar, mas aí eu lhe pergunto: por que às vezes os atletas cubanos não sabem ganhar? Porque eles são oprimidos por uma ditadura violentíssima que literalmente os obriga a vencer. Governos como o de Cuba estão nas antípodas do ideal pregado pelo Barão de Coubertin, da competição leal acima da vitória a qualquer custo. E não me venham comparar esse espisódio com a Copa de 70 e o uso político que os militares brasileiros fizeram do escrete canarinho comandado por Pelé. Se o Brasil tivesse perdido a Copa, os jogadores não apanhariam, por exemplo.
Por que quase ninguém fala isso na imprensa? Por que quase toda a hierarquia da grande mídia brasileira, de cima a baixo, é visceralmente compremitda com a ideologia socialista que dita o regime cubano.
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