A Cumbre Hispano-Americana, ocorrida no Chile, em que o Rei Juán Carlos, da Espanha, mandou o ditador venezuelano Hugo Chávez calar a boca foi um acontecimento carregado de um simbolismo que parece ter escapado a quase todos aqui no Brasil, até porque a grande maioria da população e da própria mídia brasileira não tem a menor idéia de como funcionam as monarquias modernas.
Antes de fazermos a análise, vamos "voltar a fita" e recordar o que aconteceu na Cumbre: Hugo Chávez chamou o Ex-Primeiro-Ministro espanhol José María Aznar de "fascista". Como reação, o atual Premiê espanhol, José Luis Zapatero, saiu em defesa de Aznar e reprovou o xingamento de Chávez. Mas havia um grande problema a ser resolvido: mesmo com o microfone cortado, Chávez continuava falando, ou melhor, gritando. A "bronca" educada de Zapatero de nada adiantou. Depois de um certo tempo, o Rei da Espanha perguntou a Chávez em voz alta: "?Por que no te callas?". Intimidado, assustado e absolutamente surpreso, Chávez calou imediatamente e ficou com cara de derrière, pois certamente não esperava uma reação tão veemente por parte do Rei.
A análise é a seguinte: quando o Rei da Espanha mandou Chávez calar a boca, o Rei agiu como um monarca moderno. Explico: nas monarquias modernas, notadamente da Europa, o monarca não é mais um governante, mas apenas e tão-somente um árbitro. Quando o Rei se manifestou, ele não entrou no mérito da discussão e apenas arbitrou a disputa pela palavra entre o Premiê espanhol e o ditador venezuelano, mandando, correta e merecidamente, que Chávez calasse a boca. Até aí, tudo bem; tudo estava certo. Porém, um certo tempo depois, o Rei afinou, pois voltou atrás e pediu desculpas publicamente a Chávez.
Falando em termos étnicos e em nome dos meus ancestrais espanhóis, devo dizer que fiquei muito decepcionado quando o Rei da Espanha afinou, pois toda a gana espanhola do Rei deu lugar, quando ele voltou atrás, a uma atitude tipicamente portuguesa: o Rei da Espanha baixou a cabeça diante de uma pessoa que estava errada e acabou dando moral ao Caudilho.
Freqüentemente, nós assimilamos defeitos alheios por causa da convivência. Não por acaso, quando o ditador Francisco Franco estava no poder, o Rei da Espanha se exilou por muito tempo justamente em Portugal; portanto, o Imperador dos Espanhóis acabou se deixando contaminar pelo que há de pior na personalidade portuguesa: a baixa auto-estima e o complexo de inferioridade. Em outras palavras, o Rei da Espanha se "lusitanizou". É uma pena, e é uma coisa que, infelizmente, não tem volta. O que foi feito não poderá jamais ser alterado, e o maldito ditador venezuelano Hugo Chávez acabou passando por vítima nesta história.
segunda-feira, agosto 29, 2011
domingo, agosto 28, 2011
A raça, o preconceito e o Brasil
Existe uma questão que, freqüentemente, é tema de discussão aqui no Brasil: o povo brasileiro é racista? A resposta a esta questão não é simples, mas posso começar a respondê-la dizendo que há no Brasil, de fato, um fortíssimo preconceito de cor, mas cor da pele, por si só, não é raça, pois o conceito de raça vai muito além disso. Por outro lado, o povo brasileiro não é racista, pelo menos não no sentido americano de racismo.
Em países como os Estados Unidos, a grande maioria da população, e não apenas os assim chamados "brancos", é profundamente racista, pois a grande maioria dos americanos acreditam piamente que os diferentes grupos étnicos são "clãs" humanos essencialmente diferentes, e que o melhor a fazer, para o bem da sociedade, é traçar fronteiras entre os grupos e mantê-los "puros", para evitar a mestiçagem, o que, na opinião de todo e qualquer racista, é uma coisa abominável que causa uma espécie de "degeneração", nos sentidos cultural, social e até genético do termo.
O discurso em prol da raça é a negação do Brasil, pois se o povo brasileiro fosse racista, não seria mestiço. A idéia de que a mestiçagem é não apenas aceita, mas considerada uma coisa positiva, é uma idéia genuinamente brasileira. Porém, não se pode negar que no Brasil há pouquíssimos negros e mulatos nas classes A e B e, de um modo geral, em cargos de liderança social, acadêmica, empresarial, política etc.
Enquanto, nos Estados Unidos, o próprio governo classifica os seus cidadãos de acordo com mais de 15 categorias raciais, a quase-totalidade dos cidadãos brasileiros têm uma enorme dificuldade de se auto-definir em termos raciais. O máximo que os brasileiros declaram no Censo é uma referência à cor da pele, sendo que, segundo dados governamentais de 2008, cerca de 44% dos brasileiros, isto é, quase metade da população, se declaram "pardos" (mestiços).
Geralmente, quando o brasileiro pensa em raça, o que vem à sua mente é o conceito, vago e bipolar, de "raça branca" e "raça negra". Raríssimamente um brasileiro vai além disso. Ademais, no Brasil não existe o conceito de "família branca" ou "família negra". É muito comum que os brasileiros dividam as famílias em católicas ou evangélicas, nortistas ou sulistas, corinthianas ou flamenguistas, ricas ou pobres etc., mas quase nunca atribuindo uma raça à família, até porque é justamente no seio da família que se manifesta o fenômeno social, cultural e genético da mestiçagem.
Em suma, como diria Demetrio Magnoli, "raça é coisa de cachorro!"
Em países como os Estados Unidos, a grande maioria da população, e não apenas os assim chamados "brancos", é profundamente racista, pois a grande maioria dos americanos acreditam piamente que os diferentes grupos étnicos são "clãs" humanos essencialmente diferentes, e que o melhor a fazer, para o bem da sociedade, é traçar fronteiras entre os grupos e mantê-los "puros", para evitar a mestiçagem, o que, na opinião de todo e qualquer racista, é uma coisa abominável que causa uma espécie de "degeneração", nos sentidos cultural, social e até genético do termo.
O discurso em prol da raça é a negação do Brasil, pois se o povo brasileiro fosse racista, não seria mestiço. A idéia de que a mestiçagem é não apenas aceita, mas considerada uma coisa positiva, é uma idéia genuinamente brasileira. Porém, não se pode negar que no Brasil há pouquíssimos negros e mulatos nas classes A e B e, de um modo geral, em cargos de liderança social, acadêmica, empresarial, política etc.
Enquanto, nos Estados Unidos, o próprio governo classifica os seus cidadãos de acordo com mais de 15 categorias raciais, a quase-totalidade dos cidadãos brasileiros têm uma enorme dificuldade de se auto-definir em termos raciais. O máximo que os brasileiros declaram no Censo é uma referência à cor da pele, sendo que, segundo dados governamentais de 2008, cerca de 44% dos brasileiros, isto é, quase metade da população, se declaram "pardos" (mestiços).
Geralmente, quando o brasileiro pensa em raça, o que vem à sua mente é o conceito, vago e bipolar, de "raça branca" e "raça negra". Raríssimamente um brasileiro vai além disso. Ademais, no Brasil não existe o conceito de "família branca" ou "família negra". É muito comum que os brasileiros dividam as famílias em católicas ou evangélicas, nortistas ou sulistas, corinthianas ou flamenguistas, ricas ou pobres etc., mas quase nunca atribuindo uma raça à família, até porque é justamente no seio da família que se manifesta o fenômeno social, cultural e genético da mestiçagem.
Em suma, como diria Demetrio Magnoli, "raça é coisa de cachorro!"
terça-feira, agosto 16, 2011
Quem seria o rei de Israel?
Não são poucas as pessoas que têm a seguinte dúvida: por que o Estado de Israel é uma república, e não uma monarquia? Quem teria direito ao trono de Israel? A resposta é muito simples: em 1948, o Estado de Israel foi fundado como uma república porque é absolutamente impossível rastrear os descendentes da família do rei Davi, isto é, a principal família real do Israel antigo, para conduzir um deles ao trono.
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