sexta-feira, janeiro 12, 2007

Contra estrangeirismos ou anglicismos de origem americana?

A seguir, notícia publicada hoje pela Folha de São Paulo:

Juiz determina fiscalização e manda punir estrangeirismo em anúncios

da Folha Online

O juiz federal substituto da 1ª Vara de Guarulhos (Grande São Paulo), Antônio André Muniz Mascarenhas de Souza, determinou que o governo federal fiscalize o uso de estrangeirismos em anúncios publicitários, sob pena de multa. Divulgada na quinta-feira (11) pela Justiça Federal, a decisão tem caráter liminar (provisório) e vale para todo o país.

Expressões como "sale" ou "off", comuns em propagandas, deverão aparecer acompanhadas de tradução no mesmo destaque, em peças publicitárias em qualquer tipo de anúncios, vitrines, prateleiras ou balcões. A ação foi proposta pelo Ministério Público Federal.

Para o juiz, a decisão segue determinação do Código de Defesa do Consumidor. Segundo ele, apenas a publicidade que não contenha algum tipo de oferta terá liberdade para o uso indiscriminado de qualquer símbolo, palavra ou gesto, "desde que sujeitando-se às regras dos artigos 36 a 38 do CDC [Código de Defesa do Consumidor], que proíbem a mensagem enganosa ou abusiva".Em sua decisão, Souza afirma que a União deverá fiscalizar e aplicar as penalidades previstas no Código, como multa, apreensão do produto ou cassação do registro. Em caso de descumprimento, o juiz estipulou multa diária de R$ 5.000 à União.

O governo também deverá repassar a decisão aos órgãos de departamento do consumidor, para "ampla divulgação aos consumidores e fornecedores em todo o território nacional", afirma a Justiça Federal. A AGU (Advocacia Geral da União) informou, ontem à noite, que estuda o teor da decisão para analisar se irá recorrer.

O Ministério Público Federal fez uma enquete pela internet e, segundo o procurador Matheus Baraldi Magnani, 30, autor da ação, cerca 300 pessoas foram consultadas sobre o tema. "Foi assustador o índice de apoio, acima de 90%."

A seguir, meus comentários:

Quando leio este tipo de notícia, logo me vem à cabeça a seguinte pergunta: esses nacionalistas de botequim são contra estrangeirismos em geral ou apenas anglicismos de origem americana? Pergunto isso porque se analisarmos o discurso de qualquer membro de movimentos como o Movimento de Defesa da Língua Portuguesa, que conta com o forte lobby de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara dos Deputados, e também de professores de português caxias como Pasquale Cipro Neto, poderemos perceber que eles, em seus surtos de tirania lingüística, praticamente só mencionam anglicismos, mormente de origem americana, como objetos de execração. Aí, então, me pergunto: não seria mais fácil e mais honesto se eles dissessem que são, pura e simplesmente, anti-americanos?

Eu nunca escuto um nacionalista de botequim falar em proibir estrangeirismos advindos do francês, do italiano, do espanhol etc. A bronca deles é com o inglês americano, tão em alta devido à globalização, à informática, à internet etc. Por exemplo: se uma cabeleireira batiza seu salão de Fulana coiffeur, sem nem saber que "cabeleireira" em francês não se diz coiffeur, e sim coiffeuse, nenhum juiz ou procurador chatonildo vai encher o saco dela, mesmo que isso configure uma propaganda que pode ser considerada enganosa, pois trata-se de um salão chefiado por uma mulher, e não por um homem.

Os nacionalistas lingüísticos em geral parecem não perceber que a linguagem, elemento basilar da cultura de qualquer povo, não é um elemento fechado em si mesmo. Pelo contrário, é um organismo vivo sujeito a toda sorte de mutações. Os estrangeirismos deveriam, a meu ver, ser vistos como um enriquecimento do vocabulário, e não como um enfraquecimento da força de uma língua, qualquer que seja. Porém, infelizmente, me parece que 90% dos brasileiros têm uma opinião contrária à minha. Às vezes, em certas pesquisas, o Brasil se mostra mais anti-americano do que o Irã em termos proporcionais. Fale-se um português aberto ao mundo com um barulho desses!

5 comentários:

Anônimo disse...

Sem contar que uma enquete feita pela internet não pode ser considerada uma amostra válida estatisticamente da população brasileira.

Anônimo disse...

Quem acha que pode regulamentar as expressões linguísticas, em nome do nacionalismo, realmente não tem a menor idéia da dinâmica entre as línguas e culturas. É, em suma, um imbecil!

Anônimo disse...

Maldita inclusão digital!

Se referem mais aos anglicismos americanos simplesmente porque são os mais presentes no país.Ademais,os projetos de leis para defender a língua oficial do Brasil visam somente combater o abuso dos estrangeirismos na língua,não proibí-los.
Este país foi construído pelos nossos antepassados falando e escrevendo em português,não em inglês ou outra língua.
Uma das características das nações desenvolvidas é o apreço àquilo que é próprio da nação.A falta de identidade e zelo do brasileiro pela cultura nacional,só mostra o quanto este país está distantes dos desenvolvidos.
Boa sorte com a falta de identidade cultural de vocês.

Unknown disse...

Sim,Leonardo Bruno,você está coberto de razão.E saiba que os EUA e a França já criaram leis para defender o inglês e o francês nos seus países,em nome do nacionalismo.Veja só que imbecilidade!Mas nós,brasileiros,somos muito inteligentes,claro.Por isso,vamos continuar deixando os EUA nos empurrar goela abaixo tudo o que é de lá,sejam coisas boas ou más,como músicas,roupas,idéias,modas...E,claro,a língua.Afinal,povo inteligente
da América Latina sabe reconhecer o seu lugar.

Bebé Ribeiro disse...

Um lingüista norte-americano, STEVEN FISCHER, residente na Nova Zelândia, sentenciou em entrevista à revista "Veja" O "fim do português no Brasil",sem nunca ter pisado no no nosso país.Ele disse que estamos destinados a trocar o nosso idioma pelo portunhol!
o momento parece mais do que oportuno para dar força a um projeto de lei que vise, sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie, a redignificar e revitalizar a língua portuguesa em nosso País e, assim, evitar a sua extinção do rol das línguas modernas, como anunciam alguns especialistas no assunto.